IRA
pós-renal
Introdução
* Conceito: IRA decorrente do aumento de pressão nas vias
excretoras secundária à obstrução urinária
* Essa obstrução pode ser aguda ou crônica, uni ou
bilateral, parcial ou completa, congênita ou adquirida
* É passível de ser revertida no início e essa reversão
pode prevenir a perda irreversível da função renal
Epidemiologia
* Nos EUA, entre 1989 e 1993, 2% dos pacientes em diálise
apresentavam uropatia obstrutiva
* É a causa mais comum de IRC pediátrica (20%)
* Entre 20 e 60 anos é mais comum em mulheres (gestação e
neo uterino)
* Após os 60 anos é mais comum em homens (HPB)
Etiologia

Fisiopatologia
* Depende da duração, severidade, se uni ou bilateral
* Altera a hemodinâmica glomerular e função tubular
- Reabsorção de
sódio e água
- Concentração
urinária
- Acidificação
urinária
- Secreção de
potássio
Hemodinâmica
glomerular
* Redução do FSG e RFG
* Obstrução
ureteral unilateral aguda
- Até 2h:
hiperemia inicial mediada por resposta miogênica e vasodilatadora
- 2 a 5h: a
diferença entre as pressões hidrostásticas diminui, resultando em queda do RFG
- Após 24h: a
redução do RFG é perpetuada por vasoconstrição, apesar da menor pressão tubular
* Obstrução ureteral bilateral aguda
- Após 24h: o RFG está diminuido pela
vasoconstrição e persistente pressão intratubular
Função
tubular
* Alteração no transporte tubular por lesão do epitélio
tubular e ação hormonal extratubular
* Essas alterações são vistas após a desobstrução e podem
ter comportamentos diferentes na obstrução uni ou bilateral
* Na desobstrução unilateral, a excreção de Na é maior no
rim contralateral enquanto que a excreção de Na e água é muito maior na
desobstrução bilateral (diurese pós-obstrutiva)
* Diurese pós-obstrutiva
- Poliúria >
125 ml/h, duração de até 1 semana
- Pode resultar
em: hipopotassemia, hiponatremia ou hipernatremia, hipomagnesemia
- Mecanismos:
hipervolemia, acúmulo de uréia, alteração da função tubular, aumento de fator
natriurético atrial
* Incapacidade na concentração urinária: diminuição da
sensibilidade ao ADH
- Poliúria
hipotônica, desidratação e hipernatremia
* Redução da excreção de potássio e da secreção de íons H+
pelas células tubulares
Fibrose
intersticial e lesão tubular irreversível
* Na obstrução ocorre infiltração de macrófagos e
linfócitos na medula renal
* Estimulam o produção de fibroblastos, produzindo
colágeno, além de produzirem radicais livres e proteases
* Angio II: ação pró-inflamatória e pró-fibrogênica
Achados Clínicos
* Dor: distensão da pelve e bexiga
* Nos processos crônicos (estenose de JUP, neoplasias) a
dor pode ser mínima ou ausente
* Alterações miccionais: disúria, polaciúria, urgência
miccional
* Comum a associação com infecção urinária
* Hipetensão, hipervolemia, uremia
* IRA/IRC
Achados Laboratoriais
* Aumento da Ur e Cr
* Acidose metabólica
* Hiperpotassemia
* HMG: anemia (IRC), lecocitose (ITU)
* Urina I
- Hematúria (neo,
cálculo)
- Leucocitúria
(ITU)
- Proteinúria
< 2g/dia
Diagnóstico por Imagem
Rx
simples de abdome
* Simples
* Imagens radiopacas nas vias excretoras renais
* Visualizar tamanho e contornos dos rins
Ultrassonografia
* É o primeiro exame na investigação da obstrução urinária
e fundamental para o acompanhamento
* Tamanho dos rins, espessura do parênquima e
eventualmente a causa da obstrução
* Operador dependente
* Falsos positivos: megacaliose congênita, cistos renais,
hiperidratação
* Falsos negativos: obstruções de curta duração, paciente
desidratado, cistos renais
Urografia
Excretora
* Fornece dados sobre a anatomia das vias excretoras e
sugestão do grau de lesão renal
* Uso de radiação, contraste
Uretrocistografia
Retrógrada e Miccional
* Avalia anatomia da uretra, bexiga, dinâmica miccional,
RVU
* Pode alterar-se e trazer repercussões sistêmicas na
presença de infecção
Tomografia
Computadorizada
* Útil quando a USG e UGE falharem
* Bom para diagnosticar obstrução extrínseca
* Usada em pacientes com contra-indicação de contraste
* TC helicoidal diagnostica efetivamente litíase
Ressonância
Magnética
* Não usa contraste nem radiação
* Útil em pacientes com alteração da função renal ou
alergia ao contraste
* Pouco sensível na identificação de litíase
* Pelo alto custo, deve ser reservada a casos seletos
Cintiligrafia
Renal com Diurético
* Diagnóstico e evolução da obstrução
* Menos invasiva, sem contraste, pouca radiação
* Administração de radiofármaco e furosemida 20 min após
* Se não há obstrução, ocorre diurese e eliminação do
radiofármaco com diminuição da captação de radioatividade
* Também avalia a função renal, ajudando a tomar decisões
terapêuticas e acompanhar a recuperação da função
Pielografia
Anterógrada e Retrógrada
* Visualização da pelve e ureter
- Anterógrada:
punção renal
- Retrógrada:
meato ureteral
* Método invasivo, indicado quando há falha dos exames
anteriores
* Pode promover infecções graves
Tratamento
* Desobstrução: sondagem, duplo J, cistostomia,
nefrostomia
* Tratar doença de base
* Crônica: avaliar função renal: espessura do parênquima,
cintilografia
* Nos pacientes instáveis clinicamente é possível apenas
desobstruir o sistema urinário, sem tratar a causa
* Associação infecção + obstrução freqüentemente leva a
sepse e até morte, principalmente após manipulação